"Espiritismo" Brasileiro acaba de legitimar a Ganância

Nunca nos preocupamos em classificar a ganância como defeito. Consideramos a hipocrisia como pior defeito. A corrupção nos preocupa mais do que qualquer outro erro cometido por lideranças. Quando listamos nossos próprios defeitos preferimos citar a timidez, por mais que sejamos extrovertidos como um showman. Na prática, a ganância nunca nos incomodou.

Sempre vivemos sob regras criadas em nome da ganância. As pessoas mais gananciosas do mundo nunca nos pareceram más. Em nossa ingenuidade não raramente achamos que há pessoas que tem direito de ser gananciosas. Como se o direito à ganância fosse prerrogativa das classes dominantes ou uma espécie de prêmio para quem "chegou lá em cima".

Apesar de acharmos a palavra "ganância" muito feia, não reprovamos a ganância. Até damos outros nomes como forma de legitimá-la. "Ambição", "Força de Vontade", "Decisão", "Responsabilidade" e até mesmo "Liderança" são palavras lindas que são colocadas como meios de legitimar a ganância. Ganância é uma palavra feia, mas o ato de querer ter mais que o outro, custe o que custar, não. 

Costumamos aplaudir os gananciosos. Costumamos seguir os gananciosos. Gananciosos dizem o que temos que fazer. Gananciosos controlam nossas vidas. Gananciosos tomam nossos bens e direitos. Gananciosos recebem nossos aplausos.

Eis que os gananciosos tomam o poder. E de forma mais gananciosa. Tiraram, na marra e sem justificativa plausível, uma presidente que, descontada a incompetência e os erros cometidos, se esforçava para não ser, pelo menos, gananciosa. Até por não ser gananciosa, caiu facilmente e uma horda de gananciosos tomou o seu lugar, para tomar medidas igualmente gananciosas.

O povo, acostumado a obedecer gananciosos, ficou feliz. Talvez achem que altruístas nunca devem ocupar o poder. O poder é um direito legítimo dos gananciosos. E o povo se alegra em ver de novo a ganância conduzir as rédeas do país.

Chico Xavier, o ganancioso que fingia ser altruísta, adorava gananciosos. Abençoava gananciosos. Obedecia a um espírito ganancioso, o Emmanuel, que o escravizava. E com isso transformou uma doutrina que deveria ser altruísta em uma seita gananciosa, que hoje apoia esse governo ganancioso.

E todos felizes porque um ganancioso está no poder acompanhado por uma equipe (máfia?) de gananciosos. Agora estamos tranquilos pois a ganância volta a ser a condutora máxima de nossas leis.

O período de 1964-1985 não foi suficiente para nos educarmos. Ainda teremos que aprender mais até que um dia possamos finalmente entender que a ganância é um defeito bastante nocivo para todos nós. E não há uma viv'alma que viva tranquila com a ganância.

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