Porque para a maioria é confortável acreditar em Deus?

A maioria da humanidade acredita em Deus. E a maioria destas que acreditam em Deus seguem aquilo que se chama de "religiões", cada uma se dizendo dona absoluta da verdade. E mesmo ignorando que não pode existir simultaneamente várias verdades contraditórias, as religiões seguem com toda a força em seu auge, embora vivêssemos em uma era que deveria ser mais evoluída intelectualmente.

Mas porque a crença em um Gigante que só vive escondido, mas que se acha dono de nossas vidas é tão frequente? Porque gera conforto. Porque está de acordo com os nosso instintos. 

"Instintos? Pensei que a religiosidade e crença em Deus fossem sinais de avanço!" - dirá qualquer um que se ache sábio por acreditar neste ser sem provas. Mas digo que sim, a crença em divindades é instintiva. 

Duas coisas se podem observar no fato da crença em Deus ser instintiva: 1) A crença em Deus tem muito a ver com nossa necessidade de proteção; 2)Ela já era manifestada nos primórdios da humanidade.

Quanto menos evoluídos nós somos, mais necessidade temos de um tutor, de alguém que nos proteja e que nos diga o que fazer. Tem muito a ver com a infância. Sem o conhecimento necessário e sem saber o que realmente fazer com a nossa inteligência, precisamos que alguém faça as coisas por nós e que nos oriente sobre como levarmos nossa vida.

Sem ofensa, digo que a manutenção da religiosidade indica que ainda estamos muito atrasados mentalmente. Ainda não sabemos agir por conta própria, esperando ajuda de alguém, que mesmo sem existência comprovada, sirva de nosso tutor.

É aí que a crença em Deus ou em qualquer ser que se assuma como tal aparece. Se pesquisarmos com muita atenção, observando detalhes, veremos que em todos os religiosos, por mais inteligentes que sejam, esbarram nos limites impostos pela fé, resultante da necessidade de agradar esse ser imensuravelmente poderoso que eles dão o nome de Deus. 

A reação dos religiosos perante o que eles chamam de Deus é similar à crianças pequenas diante de adultos exigentes e autoritários, Misto de amor e medo, quase uma síndrome de Estocolmo divinizada. Mesmo sendo a "bondade infinita", Deus, se quiser, pode ferrar com a humanidade inteira, pois Ele tem o direito de fazer o que quiser, o que contradiz com o senso de justiça. E pelo que parece, quanto Ele mais ferra com a sociedade, mas Ele é louvado, amado e obedecido.

Sim, porque Deus é criado pelos homens e suas características são compatíveis às lideranças terrestres, habituadas a cometer injustiças pelo absurdo que diz que autoridades tem o direito de fazerem o que quer por serem "vencedores" de uma competição pela sobrevivência.

E obviamente um Deus portador de defeitos humanos não deve ser real. Vai contra o caráter de divindade (embora eu ache que esse negócio de divindade seja coisa de mitologias) supostamente bondosa que atribuem ao suposto dono do universo.

A fábula que diz que um patinho adota como tutor a primeira coisa que aparece diante dele quando nasce se parece muito com a crença em Deus. Sem entender como as coisas acontecem na natureza, as pessoas, acostumadas a sair em busca de responsáveis para tudo, logo elegem alguém que seja semelhante a um homem para que assuma a ação por tudo que os pobres mortais não são capazes de fazer. Porque para a grande maioria das pessoas entende que as coisas só acontecem se existir uma mente similar à humana por trás. Nem que seja esse Homem Gigantesco e Invisível chamado "Deus".

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