Espíritas e "espíritas" que recusam a possibilidade do ateísmo espírita não podem falar em ciência

Sempre que se fala em ateísmo espírita, vem uma revoada de protestos de seguidores, seja do Espiritismo Original kardeciano, seja do "Espiritismo" chiquista praticado no Brasil, insistindo que é impossível haver um mundo espiritual sem a presença de um gestor antropomórfico que estranhamente vive se escondendo da humanidade.

Estas pessoas deveriam usar mais a lógica e menos a paixão religiosa, se arriscando a aceitar a possibilidade do ateísmo espírita, verificando esta possibilidade ao invés de recusá-la sem pensar. Ou pelo menos assumir que não estão nem aí com ciência, usando-a apenas para autenticar as crenças igrejeiras defendidas por eles. 

Ciência contesta, analisa. Não existe ciência fechada, havendo sempre a possibilidade de novas descobertas e consequentemente, de mudança de conceitos. Quem quer ciência, contesta, recusa, analisa, verifica se algo é verdadeiro ou não. Não fica de olho no que uma liderança fala, se baseando exclusivamente no prestígio desta para aceitar uma tese.

Os que se recusam a pelo menos analisar a possibilidade de um Espiritismo sem Deus tem a obrigação de assumir que o que defendem é uma Igreja Espírita, dotada de um repertório de conceitos subjetivos e abstratos sem comprovação real que devem ser aceitos sem verificação, observando apenas a reputação do emissor e utilizando a ciência apenas como confirmador deste repertório.

Mas quando a ciência ousa a colocar o "Espiritismo" contra a parede, os fiéis se revoltam, pois avessos a racionalidade, passam a enxergar a ciência, que deveria assinar embaixo de suas crenças, como uma traidora "possuída pelas forças de espíritos sofredores". Estes fiéis passam a recusar a ciência e retomam a fé cega que eles chamam de "fé raciocinada", o que é mais conveniente.

É algo que refuta de vez a proposta original do Espiritismo, de ser uma ciência. Até Allan Kardec admitiu a possibilidade de um ateísmo espírita, ao perguntar "O que é Deus", dando a entender que o universo não é controlado por algum ser de características humanas. Ou os fiéis vão continuar achando que um universo infinito e em expansão é controlado por um cara que vive se escondendo?

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