Acreditar em Deus é prova de nossa imperfeição

A crença em Deus é algo tão arraigado em nossa sociedade que a maioria prefere continuar acreditando, mesmo com a total falta de evidências. Fomos educados a não exigir provas para que "Ele" exista e por incrível que pareça, a crença em Deus tem muito a ver com a nossa imperfeição e com a nossa imaturidade. 

Listo aqui os defeitos que nos impulsionam a acreditar numa divindade cuja existência pode ser perfeitamente refutada, por não bater com a lógica e por representar a maior de nossas ilusões. O maior de nossos ópios.

- O nosso desprezo pela lógica: Não gostamos de pensar. Apesar do rótulo de "inteligentes" fazer bem ao nosso ego, é incômodo ser inteligente de fato. Ser inteligente exige esforço e abnegação. Por isso mesmo a ideia de Deus parece aceitável simplesmente porque não nos preocupamos em pensar sobre ela. Acreditamos em Deus porque sim e não achamos necessário verificar se essa crença corresponde a realidade ou não. Se parece confortável acreditar e Deus, continuamos acreditando. E ai de quem nos estimular a desistir desta crença.

- Carência de proteção: Ainda não não estamos preparados para andar com as nossas pernas. Como verdadeiras crianças, queremos um tutor, alguém acima de nos para nos servir de babá a atender aos nossos chiliques. Graças a nossa preguiça instintiva, desejamos que alguém faça as coisas por nós e Deus parece ser a figura perfeita para esta função. Mesmo que nada mude após um pedido ou uma oração, com os fiéis com cara de tacho esperando um benefício que nunca chega.

- Materialismo: Do contrário que muitos pensam, a ideia de Deus é material. Sim, material. Nada tem a ver com espiritualidade. Somos incapazes de imaginar o que está além de nossa realidade e entendendo Deus como a suposta maior liderança do universo, tomamos as lideranças terrestres como referência para que criemos a imagem e o conceito de Deus. Se achamos natural um país enorme como o Brasil estar sendo governado por uma pessoa, achamos natural também que o universo infinito, em constante expansão seja controlado por uma pessoa. Isso parece simples dentro da nossa visão limitada da realidade.

- Medo da solidão: A maioria das pessoas é religiosa. Há também os que acreditam em Deus sem se prender a algum dogma. Mas quase todos reprovam a ideia do ateísmo pela necessidade de imaginar um tutor com características humanas para cuidar do universo. Essa reprovação ao ateísmo e a quase unanimidade religiosa fazem com que muitos optem por acreditar em Deus. Vejam só: "se a maioria acredita em Deus é porque Ele existe", pensamento arraigado na mente da maioria e que parece suficiente para muitos como prova de existência divina. Com tanta gente acreditando em Deus, a não-crença parece algo que vai nos deixar sozinhos e desprovidos de certos benefícios fundamentais.

- Falsa noção de moral e bondade estereotipada: Para mitos, acreditar em Deus é ser bondoso, não acreditar e ser malvado. Para boa parte dos religiosos a crença em Deus significa bondade porque ele supostamente seria o legislador da noção que temos de altruísmo e que sem a orientação d'Ele não conseguiríamos ajudar-nos uns aos outros. Há também que ache que a simples crença em Deus já seria sinal de bondade, como se fôssemos incapazes de ser bondosos por conta própria. O que e estranho, já que não precisamos de influência alheia para termos a inciativa de ajudar o próximo, bastando para isso uma noção de bem estar coletivo, que curiosamente muitos religiosos (sobretudo os simpatizantes de ideologias políticas de direita) não possuem.

- Confiança cega em lideres religiosos: Quem divulgou a suposta existência de Deus foram os líderes religiosos. As religiões, sem exceção, foram criadas como forma de domínio não-político (exceto algumas crenças que defendem  a teocracia), fazendo com qu multidões possam estar submetidas as vontades de uma minoria de homens a usar sua influência para ver seus interesses particulares atendidos. Com promessas de felicidade que nunca se realizam e a exploração da necessidade da sociedade em ter um tutor, os religiosos se tornam sub-tutores da sociedade, representando a falsa proteção que não conseguem obter de outra forma.

- Fascínio por estórias mirabolantes: Desde crianças convivemos com estórias de ficção. E quanto mais maravilhosas e surreais forem, mais fascinantes se tornam. E do modo que as estorias aparecem escritas na Bíblia, na verdade um livro de lendas a passar lições de moral da época, nos encanta a ponto de tomarmos com nossa filosofia de vida. Por mais absurdas que sejam, as estórias religiosas parecem mais bonitas e desejamos que o que é narrado nelas seja entendido como realidade, pois está de acordo com os nossos anseios e com o nosso costume de enxergar a ida como uma novela, já que passamos boa parte do tempo dando importância a estorias ficcionais que vemos na TV e no cinema.

- Busca por sensação de prazer: Sendo uma espécie de ópio, a crença em Deus traz uma sensação prazerosa na alma. Eu já fui religioso e sei disso. Quem acredita em Deus está a procura deste prazer (que os próprios religiosos consideram a manifestação da presença divina) e abrir mão dessa crença seria abrir mão dessa sensação de prazer. Por isso que muitos se irritam com o ateísmo ou com criticas a sua religiosidade, pois entendem como uma censura a esse direito de sentir esta forma de prazer tão peculiar.

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