Espíritos da codificação não podiam saber tudo

Um pequeno detalhe é desprezado pelos que consideram a codificação uma obra fechada e indiscutível: espíritos superiores não são sinônimo de espíritos de evolução máxima. Logo, os espíritos reveladores não são assim tão "sabe-tudo" quanto os seus seguidores acreditam.

O planeta Terra é um planeta de provas e de expiação. É um planeta inferior, grotesco. Menos grotesco que os mundos primitivos, mas ainda grotesco. Não esperemos perfeição e absolutismo em nosso planeta porque não existe. Tudo na Terra ainda e relativo e imperfeito.

A própria codificação garante que não há espaço para espíritos de outros níveis viverem na terra, mesmo na forma de errantes. Todos os espíritos, encarnados ou não, são da mesma natureza, variando apenas nos sub-níveis. Os espíritos superiores só aparecem nos momentos extraordinários, mas isso não significa que estes superiores sejam de evolução máxima, como acreditam os seguidores.

Imaginemos que o nosso planeta, pela sua inferioridade, seja como um jardim de infância. Os professores devem estar acima dos alunos, claro, mas de nível consecutivamente superior. Ninguém exige Pós Ph-D para alguém lecionar em jardim de infância, não é? 

É a mesma coisa. os espíritos que revelaram na codificação são superiores a nós, mas pertencem a uma ordem consecutivamente acima da nossa. E apesar de não saberem todos os segredos do universo, por estarem nessa condição, conheciam a nossa realidade (alguns encarnaram na Terra) e sabiam que se revelassem certas coisas, poderiam causar um imenso estrago social que prejudicaria a compreensão doutrinária e consequentemente o desenvolvimento espiritual.

Por ser uma ciência o Espiritismo deveria trabalhar com evidências. E garantir a existência de um homenzinho que só vive escondido a mandar no universo me soa como uma manutenção da fé cega, uma aceitação de algo que ainda precisa ser provado com todas as letras. Não dá para aceitar a ideia da existência de Deus com base no "porque sim!". Ainda esperamos por evidências.

Mesmo que sejam altamente confiáveis, os espíritos da codificação não sabiam de tudo além de não poderem revelar tudo. É preciso que a confiança cega se desfaça para que entendamos a doutrina através de evidências e não porque fulano e sicrano disseram.

O trabalho dos espíritos reveladores foi mais do que plausível. Mas o trabalho deles foi o de uma abertura de discussões e não um fechamento. O Espiritismo, como uma ciência de verdade deve ser, é uma filosofia aberta, passível de análise e discussões. Fechá-la é transformá-la em uma seita, é destruir o seu objetivo e adiar a evolução espiritual. 

Precisamos usar as obras da codificação como ponto de partida para os estudos, como queria o codificador, e não como uma linha de chegada como querem muitos de seus seguidores.

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