No "Espiritismo" brasileiro, divindades não somente existem como vivem entre nós

Claro que todas as religiões se baseiam em lendas, em mentiras doces para atrair adeptos e dar poder e dinheiro as suas lideranças. Mas o "Espiritismo" brasileiro extrapolou isso e levou as ilusões às últimas consequências.

Aquilo que deveria ser uma ciência, virou uma seita bagunçada. Mas ao invés de reconhecer que divindades não existem, o que deveria ser mais lógico e mais coerente com doutrinas fundadas na razão e no bom senso, o "Espiritismo" brasileiro admite a existência de divindades. E pior: elas reencarnam entre nós neste planetinha atrasado que ainda engatinha na evolução espiritual.

Para os "espíritas" brasileiros, as divindades são chamadas de "missionários" e apesar de Kardec haver confirmado que na Terra só reencarna espíritos inferiores, devido à natureza coletiva do planeta, esses "iluminados" são considerados de "evolução máxima", classificados como tais se baseando em estereótipos falsos de bondade e sabedoria.

Para os fiéis "espíritas" (que pelo jeito nada tem de racionais além do que supõem os diplomas que carregam sob os braços), médiuns (não deveriam ser intermediários? porque se tornam "mestres"?) são considerados verdadeiras divindades em carne e osso e a veneração é tão grande que é recomendado a falar sobre eles medindo palavras, excedendo no respeito e na adoração.

Chico Xavier foi o maior de todos, embora os "espírita" brasileiros reconheçam Jesus e os santos católicos (???!!!) como tais. Até mesmo maia, ser estranho para a doutrina, é tida como tal, só porque gerou Jesus. Bezerra, Dr. March, Chico, Divaldo e similares são as divindades próprias desta seita maluca em que se transformou a doutrina.

Xavier não apenas é considerado uma divindade como uma divindade poderosa. Possui superpoderes e supostamente detém todos os segredos do universo, coisa que nem o melhor dos intelectuais ainda e capaz de ter (o que soa uma malandragem d médium de Pedro Leopoldo). A simples pronúncia do nome do médium é capaz de fazer agitar seus admiradores, qe entram e sentinela para defendê-lo, já que como divindade, "merece" a mais absoluta das demonstrações de respeito.

A crença na divinização de Xavier, muito bem trabalhada pela FEB com a ajuda da mídia, fez com que o médium (que não era mais médium, pois era estrela e voz principal do movimento "espírita") fosse extremamente idolatrado, a ponto de surgir lendas fabulosas sobre o mesmo e a tola hipótese de que ele encerrou a possibilidade de reencarnar, sendo o homem mais poderoso do universo (após Jesus e Deus, personagens um pouco controversos para quem quer raciocinar).

Por isso mesmo que muita gente se escandaliza quando se fala em ateísmo espírita. Se já no Orkut um amigo nosso foi criticado por seguir  Espiritismo se assumindo agnóstico (tem dúvida sobre a existência ou não de divindades - enquanto o ateu tem a certeza da não-existência), imagina a gente aqui? Para muitos seguidores da versão deturpada da doutrina e alguns da não-deturpada, divindades existem e cuidam de nós como tutores. 

Mas ver espíritos de evolução máxima em um insignificante planeta de provas e expiações ainda soa muito estranho. Seria como se portadores do título de Ph-D fossem chamados para dar aula em jardins de infância. Um desperdício de sabedoria oferecido a quem não está preparado para recebê-la.

Conclusivamente não existem divindades. Esses "missionários" são tão aprendizes quanto nós todos e se eles se acham o máximo é porque vem desprovidos de uma importante qualidade para espíritos superiores: a humildade. Esses "missionários" que se tratem de estudar mais e parar de lançar besteiras como se fossem "sabedoria máxima". Cansamos de sermos enganados.

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